Depois de um longo e tenebroso inverno sem postar nada, vou atualizar este espaço. No último post eu comentei que o “bispo da fotografia” Sérgio Ranalli estava por aqui, fazendo uma reportagem junto com a Marinha do Brasil, no Navio de Assistência Hospitalar Carlos Chagas, que atende as famílias ribeirinhas que vivem às margens do rio Madeira, trabalho jornalístico que pode ser conferido no endereço: http://www.foradefoco.blogger.com.br/. Depois do encontro aqui em Porto Velho/RO, eu tive que ir para Brasília/DF fazer um “freela”, combinei com o Ranalli que assim que eu chegasse, no dia 28/11, ligaria para ele. Depois de fazer a usual e pequena ponte-aérea BSB-PVH, meu ilustre amigo mineiro Eduardo foi me buscar no aeroporto. Ele estava com pressa, minha mala foi a última a ser entregue, essas coisas sempre acontecem nesses momentos. Aqui em Porto Velho/RO, entre os amigos, rola uma “rede de ajuda” interessante, como a maioria está longe de seus familiares, felizmente sempre tem um amigo disposto a te dar uma força. Confesso que da turma sou o amigo que dá mais trabalho, vivo “filando” comida na casa de todo mundo, tendo em vista que até hoje cozinho apenas miojo. Pobre amigo palmeirense, não sabia que menos de 24 horas depois passaria uma noite inteira em um hospital cuidando deste amigo corinthiano. E nessas horas é que sabemos quem são nossos amigos de verdade, independente de qualquer coisa.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Iglesia Parroquial de la Santísima Trinidad.
Tinha uma monografia do curso de Direito para elaborar, a qual, por motivos diversos, já estava sendo postergada em demasia para ser escrita. Não consegui falar com o Ranalli, o celular só tocava, e nada. Pensei, “afogou-se no Madeira, ou se perdeu entre os braços de uma guria e esqueceu do amigo”. Que seja. Fui comer uma comida japonesa com o nobre jornalista Benedito Teles e família. Comentei que estava sendo meio relapso com minha monografia, sempre achava uma desculpa para não sentar e escrever, mas que depois daquele dia, sim, eu ia me concentrar e escrever.
O celular toca, é o Ranalli avisando que está vivo, e dizendo que tem mais gente na área, a fotógrafa curitibana Luciana Dal Ri (capa da Revista Trip nº 180). Fizemos a “ronda noturna” pela cidade, que começou no minúsculo e apertado Informal, passando por outros bares, e terminando lá novamente. O voo da Luciana era às 03 da madrugada, aqui também tem uns voos com esses horários interessantes. Deixei o Ranalli no hotel, e combinei de levá-lo para comer um peixe assado na folha de bananeira no domingo.
Todavia, o que o Ranalli e nem eu esperava era que um traficante, beneficiado por uma liberdade provisória concedida por algum “emérito” juiz, furou o sinal vermelho em um cruzamento e acertou meu carro em cheio, que rodou mais de 360º graus. Claro, o marginal fugiu sem prestar qualquer tipo de apoio ou socorro. Bem, mais uma vez, tenho que chamar a “cavalaria de amigos” para me ajudar, na ocasião da colisão, lá vai o senhor Benedito Teles ter que sair do conforto da sua casa e apoiar o amigo. Na hora não senti dores, mas depois elas vieram. E na madrugada de domingo para segunda, lá vai meu amigo palmeirense de Ibiraci/MG me levar às pressas para o hospital. Tinha um amigo enfermeiro e nem sabia, sinceramente toda a atenção dispensada pelo camarada a esse marmanjo, que se contorcia na cama com dores, me comoveu. Acho que igual, só minha Mãe. Nada se rompeu, o baço estava inteiro, mas tudo afetou, duas semanas de gancho, tomando remédios e de repouso. Quem me conhece sabe que ficar duas semanas tomando remédio pra mim é torturante.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Rio Madeira... águas que guiam nosso destino.
A busca pela imagem perfeita. O desafio do equilíbrio das cores. Bem, nem sempre o fotógrafo logra êxito na captura de uma boa imagem. Todavia, é fácil alterar ou manipular uma foto atualmente. Não sou um “xiita das imagens”, mas normalmente não “passo” as fotos pelo Photoshop antes de publicá-las aqui. Em um passado recente, Roberto Capa pregava que as imagens deveriam ser captadas com lentes de 50mm, as quais tem a mesma capacidade do olho humano, principalmente em profundidade, e toda e qualquer manipulação da imagem era vista pelo fotógrafo húngaro como uma tentativa de deturpar a realidade, a materealidade da vida. Na busca incessante da proximidade da verdade, da imagem real, Capa morreu durante da Guerra da Indochina, em 1954, com as pernas dilaceradas, mas abraçado com sua câmera fotográfica.
“Dessa fronteira/ De nossa Pátria/ Rondônia trabalha febrilmente”
Essa frase do Hino de Rondônia define bem como é a garra do povo rondoniense, seja nascido aqui, ou seja “rondoniense de coração”. É um estado que não pára, que trabalha febrilmente pelo progresso do Brasil. A oportunidade de estar aqui na mesma época da construção das Usinas do Madeira é uma experiência inenarrável.
Um pequeno exemplar do limão rondoniense...
O telefone toca. O DDD é de Londrina/PR. Na hora penso, “algum amigo brigou com a namorada... e lá vem papo de sempre”. Bem, era o ilustre fotógrafo Sérgio Ranalli, um dos bispos da fotografia brasileira, avisando que em 20 minutos chegaria em Porto Velho/RO, e pra completar, chegaria de barco da Marinha do Brasil. É sempre muito bom receber amigos por aqui. Recentemente, estive em Londrix, e eu e Ranalli saímos para tomar algumas e outras, lembrar de histórias do passado e rir das oportunidades do futuro. Lá pelas tantas, o Ranalli, que sempre foi bem mais criativo, e cheio desses papos de poesia, soltou uma, que em um guardanapo de papel eu anotei. É uma definição aproximada, não literal, e não-autorizada, do que seria a fotografia para um fotógrafo, vai lá:
Trilhas do passado... trilhas do futuro... trilhas incertas...
Recorte de você. (Ranalli - Dick)
“A fotografia é como se fosse
Pequenos pedaços de papel,
pequenos recortes.
A máquina fotográfica é como se fosse um tesoura,
Que o fotógrafo usa para recortar
Pedaços da realidade,
Pedaços do tempo,
Pedaços da vida...
Recortamos com a fotografia
Nosso mundo...
Seu mundo...
Recortamos a vida...
Mas esses recortes
Acaba sendo um recorte
Do próprio fotógrafo.
Daquilo que vivemos....
Daquilo que amamos...
Daquilo que somos”
Gato de estimação...
domingo, 4 de outubro de 2009
No Sleep Till Trinidad/CUBA
Sierra del Escambray
Disco Ayala - Las Cuevas
O nome do lugar é Disco Ayala, todavia é mais conhecido como “Las Cuevas”. Estando em Cuba, vale a pena ir até Trinidad só para conhecer essa boate um tanto quanto única. A boate fica em uma caverna subterrânea, atrás de uma igreja abandonada. No período do dia, quando localizamos o local, vendo que a porta de entrada estava aberta, fomos entrando, nós e um grupo de coreanos, que falavam inglês com sotaque espanhol. Na saída, uma surpresa. Um senhor que deveria estar cuidando da boate, ou sei lá o que, trancou com um mega cadeado o lugar, e exigiu que cada uma pagasse algo em torno de 1 Euro, como sendo uma “taxa de visitação”. Achamos aquilo estranho, mas pagamos e fomos embora, achando aquilo mais engraçado do que perturbador. É o capitalismo já tomando conta da ilha de Fidel.