quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Já na primeira volta por Punta Arenas, compramos nossas passagens para Puerto Natales, que custaram 4 mil pesos chilenos, pela Buses Pachecos. Na cidades que nós passamos no Chile, Punta Arenas e Puerto Natales, não havia rodoviária, sendo assim, o viajante deve procurar o endereço da empresa, onde geralmente é o local de saída/chegada dos ônibus. Buses Pacheco Av. Colón, 900,(www.busespacheco.com) Punta Arenas.
Para ir até a Zona Franca, buscamos um “táxi colectivo”. Um mecanismo interessante de transporte público desenvolvido pelos chilenos. Os táxis possuem linhas determinadas e para o passageiro custa “simbólicos” 350 pesos chilenos e levam até quatro pessoas cada veículo. A idéia era sair à noite em Punta Arenas e curtir uma balada na noite chilena, mas o cansaço da longa viagem falou mais alto e dormimos.
Como de regra, nas mãos apenas o completo Lonely Planet, chegamos na amistosa cidade chilena de Puerto Natales. Cidade fundada em 31 de maio de 1911. Situada a 51°43”39’ Latitude S. Na descida do ônibus fomos abordados por um senhor que oferecia vaga em um hostal, como bons brazucas desconfiados não aceitamos de primeira a oferta, falamos que tínhamos que comprar primeiro passagens para o Parque Nacional Torres Del Paine, e depois iríamos atrás de um hostal. Ele insistiu e até se ofereceu para levar-nos até o ponto de venda de tickets. Falamos que iríamos a pé. Saímos em busca da passagem para Torres Del Paine. Ao chegar na loja, o mesmo senhor que tinha nos abordado anteriormente estava lá. Decidimos abrir uma exceção e confiar no cara.
Valeu a pena o voto de confiança, pois ele nos levou para um hostal muito bom. Com um beliche no quarto, um banheiro privado e um bom café da manhã. Por apenas 7 mil pesos chilenos. (http://www.costapatagonica.cl).
Tendo em vista que o ônibus que iria nos levar até o Torres Del Paine só sairia no outro dia, decidimos curtir um pouco a cidade. O primeiro bar que teve a honra de nos receber foi “El Bar de Ruperto”. O bar tem um estilo próprio, com espaço para música ao vivo e um bom atendimento. Interessante que no local toca mais música latinoamericana de Pablo Milanés, Violeta Parra, Mercedes Sosa e Sílvio Rodriguez, o que me agradou.
Depois de tantas voltas e de algumas garrafas de vinho e da boa cerveja Austral, partimos para o desafio maior: conquistar Torres Del Paine. A entrada no parque custa 15 mil pesos chilenos (http://www.conaf.cl/parques/ficha-parque_nacional_torres_del_paine-39.html).
No local fomos informados sobre um incêndio que tinha começado no dia anterior, o que no momento impossibilitaria a visita ao Glaciar Grey. Pegamos nossas coisas, pagamos 2500 pesos chilenos para uma van nos levar até o Acampamento las Torres.
Nessa região, normalmente, anoitece por volta das 22:00h, sendo assim, armamos nossa barraca e já partimos para a primeira caminhada com destino ao “Mirador Las Torres”.
Para quem for levar uma máquina fotografia estilo SLR, recomendo uma objetiva 28-300mm, pois a versatilidade dessa lente é a mais apropriada, tendo em vista que o local oferece cenas próximas e distantes para o registro fotográfico. Também é interessante levar um saco plástico para proteger o equipamento, seja da chuva ou da poeira. Colocá-la em uma bolsa também é apropriado, mas há o risco de perder alguma imagem até a retirada completa do equipamento.
A caminhada entre o “Acampamento las Torres” e o “Mirador las Torres” tem 9 Km, e uma duração aproximada de 4,5 horas. De acordo com o guia informativo do parque é considerada uma caminhada de média dificuldade. É importante levar água e alguma coisa para comer, como barras de cereais e/ou frutas cristalizadas. Aproximadamente no meio do caminho tem o “Acampamento Chileno”, que vende bebidas e alimentos.
O trekking não é um esporte ou uma competição, ou seja, não há vencedores ou perdedores. O tempo é apenas uma estimativa, não uma meta. Sendo assim, é importante não tentar forçar a barra, senão o “caminhante” poderá estragar seu passeio e dos demais companheiros.
Já próximo ao final da trilha, um homem de aproximadamente 75 anos estava descendo, bem devagar e com a ajuda de seu filho. No caminho é possível encontrar pessoas de todas as idades, pois o mais importante não é a velocidade do percurso, mas sim a chegada e toda a contemplação da natureza ao longo do caminho, que é de encher os olhos e tirar o fôlego.

sábado, 10 de dezembro de 2011

“Nós que aqui estamos, por vós esperamos”

A primeira visita ao famoso “Cementerio de la Recoleta” não poderia ter sido em uma ocasião mais apropriada. As nuvens carregadas davam aquele ar de Gotham City portenha, combinada com a arquitetura mórbida torna o ambiente em algo único, fúnebre, tenebroso e agradável. Entre os monumentais mausoléus caminhavam estranhos gatos negros e cinzas. Bichanos que pareciam terem saído direto de um filme de terror, algo como “Cemitério Maldito” (Pet Cemitery). Um olhar estranho, um pelo diferente e um caminhar desconfiado em meio as catacumbas de um dos principais cemitérios do mundo.

Túmulo de Domingo Faustino Sarmiento

Escritor, jornalista e político liberal argentino.

Dig Up Her Bones - Misfits

“Point me to the sky above

I can't get there on my own

Walk me to the graveyard

Dig up her bones!!!

I have seen the demon's face

I have heard of her death place

I fall down on my knees

In praise of the...

Horrible things that took her away

And death climbs up the steps one by one

To give you the rose

That's been burnt by her son”



Mas é coerente com a cultura portenha ser um dos principais pontos turísticos de Buenos Aires um cemitério, tendo em vista o gosto pela tragédia dos habitantes da capital argentina, com sua representação máxima no tango e na epopéia da construção do “Teatro Colón”, um dos mais famosos do mundo, para as apresentações de ópera.

Spiritual - Johnny Cash
Jesus… I don't wanna die alone!!!

My love wasn't true, now all I have is you.
Jesus oh Jesus I don't wanna die alone
Jesus if you hear my last breath,

Don't leave me here left to die a lonely death

I know I have sinned, but Lord I'm suffering…
Jesus Oh Jesus If you hear my last breath
Jesus Jesus all my troubles…

All My pain,

Will leave me once again.
All my troubles!!! All my pain!!!

“La Recoleta”, inaugurado no dia 17 de novembro de 1822, é o primeiro cemitério público de Buenos Aires. Quando da idealização do projeto já se concebia que seria um cemitério e um grande monumento artístico, onde o estilo grego, bizantino, neoclássico, art decó, e claro, o gótico teriam seu espaço garantido. Segundo os argentinos, “La Recoleta” é sem dúvida a expressão máxima da “arquitetura funeral” de todo o mundo.

Uma visita completa à “La Recoleta” demanda tempo. Há guias turísticos que contam a trajetória de vida das principais personalidades políticas, artísticas e militares que descansam no cemitério. Para quem gosta de história e literatura, e tem certo conhecimento da cultura argentina, o local torna-se uma visita obrigatória e inesquecível.

Uma dica: se for procurar pelo túmulo de Evita Perón, embora seja um dos mais visitados, mas não é um dos mais interessantes, procure por “Família Duarte”.